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Informação, conhecimento e poder

Vivemos, sim, a era da facilidade de acesso à informação; um fato de há pouco, registrado do outro lado do planeta, é imediatamente conhecido aqui.

O mundo sempre foi movido pela informação. Como diz um anúncio de TV, não são as respostas que movem o mundo. São as perguntas. Quando se tem uma dúvida busca-se informação. E quanto mais o ser humano se informa, mais ele tem sede de conhecimento. Dizer que vivemos a era da informação é quase um sacrilégio. Vivemos, sim, a era da facilidade de acesso à informação; um fato de há pouco, registrado do outro lado do planeta, é imediatamente conhecido aqui. A notícia se propaga cada vez mais rápido. Tanta informação representa mais conhecimento? Ou se tem sempre mais do mesmo?

De imediato a resposta parece óbvia. É sempre mais do mesmo porque as fontes são invariavelmente as mesmas, guiadas por interesses específicos. A visão quase nunca é 360º. E não é por falta de opções, porque tudo acontece em 3D e em 360º. Estamos inseridos em tudo. Mas, a indústria da informação, tocada por interesses próprios, filtra os interessa dela e inunda as massas com temas alinhados aos seus propósitos. A competência em informação muitas vezes é subjugada pela preguiça ou pelo comodismo de receber o conhecimento ruminado. Por que pensar se já recebo a informação pronta? Reforça-se, então, a imagem da vida de gado — povo tangido, povo marcado, povo feliz.

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Há algum tempo, no artigoA Harmonia das Dissonâncias, a escritora e jornalista Míriam Leitão foi ao ponto certo. Começa sustentando que “A realidade tem sido tão espessa que nem podemos respirar. Fatos demais acontecem e é como se tivéssemos que esticar as horas do dia, para que caibam todos os eventos novos e os fatos mutantes”. Em outro trecho, é mais precisa ainda: “Quem dorme um pouco à tarde, para recuperar o corpo da noite insone, pode tomar um susto ao abrir os olhos. Alguém dirá: ‘viu o que aconteceu?’. E isso pode mudar tudo o que estava posto ao fechar os olhos. A vida vai sendo consumida no próprio ato de entender o que se passa. As crianças precisam fazer silêncio na sala, enquanto os adultos em fúria desfilam previsões e divergências. As cores deveriam apenas colorir como é natural, mas hoje dividem.”

Onde está o mal? Na informação? Na tecnologia? No excesso? No uso direcionado por interesses nem sempre nobres? Na preguiça de pensar?

Se a informação sempre moveu o mundo e faz o homem progredir a passos cada vez mais largos, não pode ser ela o mal. Se o conhecimento pode ser usado para o bem e, em determinado momento, alguém escolhe o mau uso, não pode ser ele o mal. Se a tecnologia nos permite interagir, fazer mais coisas e ainda sobra tempo para sermos felizes, não pode ser ela má.

No artigo “Possíveis relações entre o uso de fontes de informação e a competência em informação”, os professores Marcos Aurélio Gomes (Universidade Federal de Alagoas) e Lígia Maria Moreira Dumont (Universidade Federal de Minas Gerais), falam em tríplice aliança. E aliança, neste contexto, indica o dicionário: pacto ou tratado entre indivíduos, partidos, povos ou governos para determinada finalidade. Os dois pesquisadores sustentam: “De fato, a tríplice aliança que se forma entre informação, conhecimento e tecnologia parece conformar uma sociedade na qual essa triangulação opera de forma interdependente para produzir produtos e serviços em quase todos os setores da atividade humana.” Isso é bom.

Ótimo é procurar cada vez mais a competência em informação, em contraponto ao comodismo de receber informação traduzida. Se há múltiplas fontes, é vital selecionar as confiáveis. E quebrar o monopólio da informação, retido nas mãos de grandes corporações sob o manto dos direitos autorais, só será possível através da Educação, dentro ou fora das escolas — em bibliotecas, por exemplo! Mas, antes de tudo vem a iniciativa de eliminar intermediários travestidos de tradutores da informação. Precisa ir direto à fonte, sem preguiça. Com conhecimento sobre política, cultura e outros temas, o cidadão reivindica com mais propriedade.

Simples assim!

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