Medidas de controle à erosão – Práticas mecânicas

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Ontem falamos das práticas vegetativas para combater a erosão, hoje vamos falar do mesmo assunto, porém abordando as práticas mecânicas, que é uma prática que requer mais investimentos na sua instalação e manutenção, devido a complexidade de atuação e materiais utilizados.

Práticas mecânicas

  • Plantio em nível

O plantio em curva de nível, diferentemente do que ocorria no passado, quando o café era plantado morro abaixo, além de dispor as plantas de modo a formarem barreiras contra as enxurradas, constitui a base para a aplicação de outras práticas de controle à erosão, sejam vegetativas ou mecânicas, as quais são realizadas também em nível, cortando o sentido das águas.

Café em nível
Plantio em nível
  • Marcação do cafezal

A distribuição adequada de talhões, carreadores em nível, pendentes, cordões, canais escoadouros e caixas de retenção é básica para o controle à erosão. Os carregadores em nível devem ficar a cada 40-70 metros, com largura de 6-7 metros e terem ligeiro declive (5%) para dentro, para melhor reter a água. Em áreas com declividade superior a 30% ou onde o solo tem menor capacidade de infiltração esses carreadores devem ser traçados com um desnível de mais ou menos 2%, desviando o excesso de água para os canais escoadouros. Os pendentes devem ser ligeiramente desencontrados, para evitar o cursos contínuo das enxurradas neles formadas.

  • Cordões em contorno e valetas

Pode ser chamado de terraço de base estreita, em nível ou com ligeira caída, a cada 10-15 metros, distância variável com a declividade, tendo largura total (canal+camaleão) de 1-3 metros. Nas áreas com declividade superior a 30% é comum a substituição dos canais por valetas, mais estreitas (+- 30 cm) e fundas (40-50 cm), septadas, abertas com enxadão. Nessas áreas os cordões devem ser locados com desnível de 1 a 2%, despejando o excesso de água para canais escoadouros, ou para áreas vizinhas ao cafezal, de pastagem ou floresta, onde passa água fica adequadamente retida. Em áreas mecanizáveis os cordões estão deixando de ser usados, devido atrapalharem a passagem e a utilização de equipamentos tratorizados.

  • Canais escoadouros

Complementam a ação dos carreadores e cordões em desnível, podendo ser locados ou aproveitados para essa finalidade os fundos, grotas ou depressões do terreno, aí despejando a água excedente, sempre mantendo esses canais protegidos por anteparos de vegetação, tipo bananeira, napier, etc.

  • Caixas de retenção

Também completam a ação de cordões, podendo ser usadas para receber o excesso de água deles e, ainda, recolher a água que escorreria pelos carreadores pendentes, medida muito útil nas áreas montanhosas, e que facilita a conservação das estradas(carreadores) dentro da lavoura. As caixas são normalmente construídas com retroescavadeiras, nas dimensões aproximadas de 2 x 2 x 2 metros, em número adequado, calculado para atender ao excesso de água produzido na área e sem outro destino (escoadouros em área vizinha de pasto ou floresta).

O número e a dimensão das caixas varia com a declividade, com o volume de chuvas, com o tipo de solo e da própria disposição das lavouras, devendo as mesmas serem situadas em pontos críticos, próximo à interseção de carreadores.

A construção de caixas de retenção tem crescido bastante na cafeicultura de montanha, pois, apesar de seu custo inicial alto, elas economizam muito na conservação das estradas da lavoura. Talvez por isso, algumas prefeituras têm ajudado os cafeicultores, com retro-escavadeiras, visando a construção e limpeza das caixas de retenção. Em áreas mecanizáveis deve-se evitar as caixas, pois atrapalham o trânsito das máquinas.

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Um exemplo de caixa de retenção em um cafezal

 

  • Sulcamento em nível

É uma prática temporária, efetuada nos dois primeiros anos da cultura, para auxiliar quando a área está ainda muito descoberta (com café novo e pouco mato), consistindo na passagem de sulcadores tratorizados ou, nas áreas declivosas, de arados de boi (aiveca) ou de burro (= arado pequeno), abrindo sulcos no meio das ruas, em todas elas ou em cada 2-3 ruas, conforme a necessidade, para melhorar a retenção das enxurradas. Os sulcos nas montanhas podem reter a água, os adubos e detritos produzidos na lavoura, melhorando a infiltração da água e aproveitamento dos nutrientes.

 

  • Arruação permanente

As leiras formadas pelo ajuntamento de terra solta e detritos orgânicos (na arrumação) podem ser mantidas sem esparramar, constituindo-se uma espécie de camaleão, uma barreira muito eficiente no controle à erosão. Essa medida se aplica a áreas montanhosas, de cultivo manual e a lavouras (não adensadas).

  • Banquetas e micro terraços

A abertura de banquetas, como as usadas em fruticultura, é muito onerosa no caso de cafezais, pelo pequeno espaço entre as linhas. Pode-se, nas áreas montanhosas, efetuar pequenos terraços, com o micro trator operando em ré, ou, através de 2-3 passadas de arado de bois, onde é aberto o sulco de plantio, deixando um pequeno patamar formado com as capinas sucessivas. Ultimamente evoluiu-se bastante da pratica de micro-terraceamento, que diferentemente das banquetas, visam terracear ou formar um caminho nas ruas do cafezal e não nas linhas, como aquelas banquetas tradicionais. Neste caso o micro-terraceamento visa mais a facilidade de operar mecanicamente, os tratos no cafezal, mas paralelamente, tem sido observado que a prática do micro-terraceamento também auxilia no controle à erosão.

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Micro escavadeira, construindo Banquetas
  • Subsolagem/escarificação

Podem ser utilizados principalmente em áreas de solo compactado (na superfície ou sub-superfície) para melhorar a infiltração de água e, assim, diminuir a erosão. É indicada para esse fim, também antes do plantio, nas lavouras em formação e nos carreadores pendentes, para produzir enxurradas.

  • Plantio direto

Sem preparar o solo, através de implementos aradores, abrindo-se e preparando-se apenas a área onde fica o sulco de plantio. A área restante é mantida com roçadas ou tratada com herbicidas de pós-emergência.

 

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