Medidas de controle à erosão nos Cafezais – Práticas vegetativas

Postado por

Cafezais em áreas montanhosas, plantados “morro abaixo”, eram comuns no passado, facilitando a erosão e a degradação dos solos, levando a uma menor vida útil das lavouras. Hoje em dia, a prática de controle à erosão é essencial, para evitar os erros do passado e, também, para o aproveitamento da água e para melhor eficiência do uso dos insumos, com isso protegendo o meio ambiente e auxiliando na redução de custos.

Existem duas situações onde as medidas de controle podem ser adotadas:

  1. No planejamento.
    • É necessário encarar a conservação do solo do cafezal de forma mais ampla, dentro da microbacia na propriedade, inserindo a lavoura num projeto integrado de aproveitamento e conservação do solo.
  2. Durante a condução do cafezal.
    • O plano anual das práticas, em cada lavoura, deve considerar a proteção do solo no conjunto dos tratos.

As práticas podem ser dividas também em duas, sendo elas:

  1. Vegetativas.
  2. Mecânicas.

Abaixo vamos listar os métodos que podem ser utilizados, de acordo com a prática escolhida.

Práticas vegetativas

  1. Manejo do mato, com roçadas, redução e alternância de capinas

    Algumas capinas são substituídas por roçadas, durante o período chuvoso, que, assim, mantêm o mato baixo, cobrindo e protegendo o solo, sem muita concorrência com o cafeeiro. Caso necessário, efetua-se a capina somente na linha (trilhação mecânica ou química) mantendo a rua roçada. Outra opção é usar capinas rua sim, rua não, alternando a época, sempre ficando uma coberta e servindo de proteção (barreira de mato) para a outra limpa. Conforme a necessidade pode-se capinar 50% das ruas ou mais, nesse caso ficando uma rua suja ou roçada a cada 2-4 ruas limpas.Imagem relacionada

  2. Herbicidas de pós-emergência

    São utilizados sobre o mato, além de evitar o revolvimento do solo, promovem a formação de uma camada (manta ou cobertura) de mato morto, que atua no controle de erosão, que impossibilita a entrada de água no solo através dos canalículos deixados pelo apodrecimento de raízes e ervas.

  3. Renques de vegetação permanente

    São indicados em áreas montanhosas, principalmente na fase de formação do cafezal, como auxiliares ou substitutos dos cordões ou valas, cuja abertura e manutenção manual são onerosas. Os renques são plantados em nível, a cada 4-6 ruas de café (de acordo com a declividade), com plantas próximas, formando renques ou “barreiras vivas”. Usa-se capim cidreira, a cana e a bananeira. Devido a dificuldade de implantação e manutenção os renques de vegetação tem sido pouco utilizados na cafeicultura.

  4. Vegetação de carreadores

    A manutenção dos matos nos carreadores, devidamente roçado, sempre que necessário, reduz o carreamento de terra solta e de água, diminuindo a erosão e aliviando o trabalho de manutenção periódica desses caminhos na lavoura.

  5. Associação de culturas

    O plantio intercalar de culturas anuais promove a cobertura do solo, funcionando como o mato. As culturas que ocupam melhor a área, como o feijão e o amendoim, são ideais nesse aspecto, devendo-se dar preferência, principalmente em áreas montanhosas, ao seu plantio direto, após herbicidas de pós-emergência, evitando gradagens preparatórias ao plantio, que predispõem a erosão. Pode-se optar por diversas culturas, tanto perenes ou semi-perenes (fruteiras, seringueiras ou gavillas), reduzem o impacto da chuva e suas folhas contribuem na proteção do solo.

    Resultado de imagem para Associacao de culturas no café
    Árvores e outros cultivos em meio ao cafezal
  6. Plantio adensado e em renque

    Tanto o plantio mais fechado na linha (renque), como adensamento nas entrelinhas levam a uma melhor e mais rápida proteção do solo, mesmo nos primeiros anos. Nessas áreas de café adensado, a partir do 3º ano praticamente não ocorre erosão, não sendo necessárias, assim, práticas especiais para seu controle. Por isso, em zonas montanhosas, mesmo em áreas muito inclinadas podem ser aproveitadas para café, desde que no sistema adensado, se torne uma prioridade para essas regiões.

 

Amanhã iremos falar das práticas mecânicas para o controle de erosão!

cropped-blog3.png

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s